No último dia 30 de setembro, foi realizado o encontro presencial do projeto Adote Uma História, da Companhia de Trens Metropolitanos de São Paulo (CPTM), que reuniu, mais uma vez, as pessoas idosas assistidas pela Unibes e os colaboradores da companhia.
A proposta é simples e, justamente por isso, tão potente. Em um tempo em que as interações humanas são cada vez mais digitais, a iniciativa convida os participantes a trocar cartas escritas à mão, abrindo espaço para afeto, diálogo e uma boa dose de nostalgia.
Em duplas, cada participante conta a sua trajetória e conhece a do outro. A partir das vivências de cada um, nascem conexões que vão além do papel. Para Cintia Nunes, agente operacional da CPTM há 12 anos, a experiência foi uma surpresa.
“Quando recebi o convite para participar do projeto fiquei pensando ‘nossa, eu vou enviar carta para quem eu não conheço?’. Foi maravilhoso poder voltar no tempo e relembrar o tempo das cartinhas, justamente porque hoje em dia não estamos mais acostumados a escrever fora do celular e do e-mail”, disse.
Ela teve a oportunidade de conhecer a Jeanine Wakrat, assistida da Unibes, de 90 anos. “Ela veio do Egito, então ouvir a experiência de vida dela me enriqueceu muito. Eu gostei muito do nosso encontro, foi muito acolhedor”, completou.
Quando os sentimentos são colocados no papel
Escrever é uma forma de comunicar, mas também de sentir. É o que conta Sarah Garanhani, de 79 anos, assistida da Unibes. “Foi muito emocionante, pois ao escrever a gente fala um pouco das coisas que ficam guardadas e temos a oportunidade de colocá-las para fora”, relatou.
Jailton Dantas, de 66 anos, é atendido pela Unibes há dois anos e também viveu essa troca de perto. “Recebi uma carta de boas-vindas e respondi contando a minha história do Nordeste para São Paulo, onde estou há 20 anos. Foi muito interessante ter a oportunidade de conhecer a pessoa que escreveu para mim, pois conversar, trocar ideias e criar vínculos é muito importante para a pessoa idosa”, contou.
Projetos como o Adote uma História contribui para reforçar práticas que estimulam o cérebro, preserva funções cognitivas e favorece a autonomia e a participação social de pessoas idosas Um estudo publicado em 2021 na revista International Psychogeriatrics identificou que idosos que liam pelo menos uma vez por semana apresentaram 46% menos risco de declínio cognitivo ao longo do período.
Nesse sentido, a parceria entre a Unibes e CPTM evidencia que a convivência entre gerações tem o poder de acolher, inspirar e fortalecer vínculos.


